Primeiro de Maio
(para os colegas da Agência 1249-1)
Abertura de licitação de concurso público para provimento de vaga em istituição financeira federal. Vagas limitadas.
Convocamos os aprovados a assinarem o contrato e tomarem posse de sua vaga.
No princípio do começo foi assim.
Um determinado dia teve início teu contrato com o BB.
A empresa já tinha um tempo de atividades. Já tinha um nome reconhecido no mercado financeiro nacional e internacional. Tinha normas internas instituídas, uma missão definida...serviços a prestar à comunidade, já negociados...
Aos poucos e com o passar do tempo, você foi se interando das atividades do banco, foi aprendendo e executando o aprendizado junto aos clientes, em forma de serviço, que dada a estrutura da empresa, a complexidade dos produtos oferecidos aos clientes, e pelo grande número de funcionários prestadores destes serviços, se fez necessário criar normas e regras para formalizar a realização destes serviços.
Aos poucos estas regras de execução das tarefas e serviços começaram a ser escritas e organizadas de forma a tornar uniforme a execução das tarefas pelos milhares e milhares de funcis, distribuídos nas milhares de unidades prestadoras de serviços em todo o território nacional e unidades no exterior.
Ao conjunto destas regras escritras durante o passar do tempo, e por diferentes pessoas, deu-se o nome de LIC.
Todos os dias, para a correta execução de uma tarefa desconhecida, ou a cada dúvida sobre um produto onde já se tenha algum conhecimento, ou qualquer procedimento em relação às tarefas, é recorrido ao LIC. Às vezes, mais do que uma vez ao dia.
Tem dias, ocasiões, que se requer o acesso ao LIC, muitas vezes ao dia. Todos os dias da semana.
Com o passar do tempo e o manuseio do LIC, a experiência funcional vai se acumulando e vão sendo galgados diferentes cargos dentro da empresa.
Cada cargo vai sendo auferido conforme a especialização, o interesse de cada um sobre as tarefas, mas sempre baseado no LIC.
Da vestimenta ao baseamento ético, do extrinsico ao intrínsico, do evidente ao camuflado... tudo baseado no LIC. Sem este laço, a empresa não funciona.
Entretanto, este laço se mantém no invisível, para aquele que usa o produto bancário. O cliente nem sonha, não cogita a existência do LIC. A concorrência, supõem. É provável que também cultivem os seus próprios lics.
O BB é uma das 5 empresas mais antigas do mundo. Este “manual” tem contribuído para tal. O BB é uma das empresas brasileiras com maior arrecadação de lucro. O uso e a prática do LIC tem dado os resultados.
Tenho colegas com mais de vinte anos de empresa. Tenho colegas com mais de trinta anos de empresa. Tenho colegas que se dedicam totalmente à empresa: nove, dez horas diárias, e quando saem pela porta do banco continuam trabalhando, porque não conseguem se desligar. E tenho colegas, que mesmo lá dentro, nunca se ligam.
E o que me choca, é que pra maioria de uns e outros, só existe aquilo. Com pequenos prelúdios com alcool, drogas, vazio, solidão... cara fechada na segunda-feira, escassez de sorriso o tempo todo. (Tem clientes que chegam na nossa frente e saem, sem ganhar uma atenção: só mecanismos). Somos liquizados. Homogeneizados. Refrigerados pelo sistema. E o outro se torna um Ourocap, um Seguro, disfarçado de pessoa.
Somos cumpridores de metas de trabalho. E só.
O sistema tira nossa parcela gente, da gente.
Interessante que pra este leque de vaziedades é dedicado todo nosso tempo, todo nosso conhecimento, toda nossa energia, toda a capacidade intelectual da pessoa, e no final conseguimos produzir apenas um serviço, dos milhares e milhares que se entrelaçam e se permeiam no mundo/vida social.
Nos especializamos tanto, nos dedicamos tanto, nos doamos tanto, muitas vezes vamos contra nossos valores, sufocamos nossos sonhos, nosso caráter, nossa maneira de ser e pensar...tudo em troca de um sistema.
Nós somos levados a nos pensar como sistema. Mas de uma forma totalmente individualizada. Me repugna o outro. De preferência que não me toque. Não me olhe. Nem se entrometa comigo. Me cansa o sorriso que eu tenho que liberar, porisso fico com minha cara amarrada, porque vai que alguém sorria pra mim e eu tenha que sorrir de volta? O que que eu faço, pois eu esqueci como se sorri de graça. Eu esqueci como é isto de sorrir pra alguém por nada, sem motivo algum aparente.
Agora, porque a empresa me paga um salário, e enquanto eu estiver com a senha ativa no Sisbb, mas somente naquele meio tempo, só ali, eu devo sorrir (mas só um arreganhar de dentes) quando estritamente necessário, porque a empresa está pagando. Fora disso, porque? Praquê?
Talvez o único momento diário de riso de alguns, seja a piadinha idiota e vazia do “Tri”.
O ser humano está sendo tri-malpensado, tri-maltratado, tri-malamado, tri-malpago, tri-malinformado... mas num mundo cheio de informações, cheio de produção, cheio de acúmulo de renda... Que coisa confusa.
Tem tanto assunto sobre comida, tanta receita nova, tanto tempero novo... E tanta falta do que comer, de gosto em se comer, em se viver.
De que adianta encher a barriga, se o coração tá vazio? Ou o inverso? Cadê o equilíbrio?
Mas o ser humano não sabe onde encher o coração, porque ele acostumou a comprar tudo o que sente falta, e o que enche o coração humano, não está à venda em nenhum lugar.
O ser humano se tornou um cão andando atrás do próprio rabo. Ele quer alcançar uma parte de si mesmo que fugiu do seu alcance: seu próprio coração.
E como a boca fala do que o coração tá cheio, não se tem mais sorriso, carinho, amor, interesse desinteressado, pelas outras pessoas. Não se tem nem pra si, quanto mais pra repartir?
Tem tanto psicopedagogo, pscoisso, psicoaquilo, e o ser humano não se conhece mais. O ser humano não sabe mais se olhar sozinho. Parece estarmos com medo de nós mesmos, porisso pegamos um desconhecido pra nos auxiliar a nos ver: vai que eu me transformei num bicho estranho?
Quando anulamos nossa humanidade, quando não temos amor ums pelos outros, nós nos tornamos bichos muito estranhos. Com uma aparência aparentemente humana, mas com um coração medonho. Estranho.
Minha alegria própria, meu simples gozo pelo fato de estar vivo, é aos poucos e ininterruptamente esmagado pelo sistema.
Cada empresa, cada microsistema vai usando seu modo particular de anular seus seres humanos privativos.
A nível de mercado, de sociedade como um todo, eu imagino cada ramo de atividade produtiva reproduzindo este esmagamento do ser humano: é no sistema de produção, de serviços, lá na roça...A nível mundial eu imagino isto ocorrendo na comunidade mais distante da Africa, da Ásia...no Alasca...
O ser humano voltado e envolto pela sua atividade funcional. O produto do seu trabalho, produzindo o trabalhador: daquilo que produzimos nos tornamos o produto. O tiro saindo pela culatra.
Tem alguma coisa invisível corroendo o lado “gente” das gentes, em todo o mundo.
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Quando eu li o LIC dos lics, eu entendi o amor de Deus por cada um de nós.E reassumi a parte que me cabe deste amor.
O meu sorriso independe da minha plugação com o Sisbb, pois minha vida, minha alegria, minha liberdade de ser eu mesma foi negociada e paga pela moeda de maior valor que existe, que é o amor de Deus por mim, manifesto por Jesus.
Deus nos amou “de tal maneira” que entregou seu filho pra morrer no lugar de todo aquele que está morto/anulado/esmagado pelos diferentes sistema do mundo.
Leia o Lic dos lics ...”e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo.8:32).
Vem pra Cristo, você também.
Suelisilvania.blogspot.com
quinta-feira, 12 de junho de 2008
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