quinta-feira, 24 de abril de 2008

Quanto Vale, um Vale?

Havia um tempo em que, se uma pessoa contraísse uma doença contagiosa, era imediatamente separada da sua convivência social, não importava a cor, credo ou condição social.
Aos sacerdotes das cidades, era conferido a autoridade de fazer valer este ato imposto.
Se um leproso tivesse um emprego, ele tinha que abandonar, se tinha uma esposa(o), filhos, netos... tinha que sair de sua casa, deixando atrás de si tudo que amava...Famílias se desfazendo.
A família na volta, observando a partida, olhando arrumar os objetos pessoais, enquanto sabiam que nunca mais iria voltar. As crianças chorando...
Elas sempre choram.
Uma última percorrida pela casa, uma última olhada para as coisas amadas, antes de sair. E depois, pela rua afora, cabisbaixo, fitando os pés, morrendo por dentro, acompanhado pelo olhar dos estranhos, encaminahar-se para o vale dos leprosos.
Nunca mais... Nunca mais poder acariciar alguém ou ser acariciado...nunca mais um afago nos cabelos, nunca mais alguém segurando sua mão...alguém se achegar a si...uma refeição em família. Deitar e acordar juntos...
Família, amigos, não existem mais. Nunca mais um amor, uma casa, o direito de os ter.
O vale dos leprosos nada mais era do que abrigos naturais cavados na rocha, com péssimas condições de higiene, onde rescendia a mofo e mal cheiro de carne em decomposição.
Na escuridão da noite, vinham os escorpiões e as serpentes que sobreviviam no deserto.
Naquele lugar tenebroso, niguém que não fosse também doente, podia se chegar. A comida, ou qualquer outra coisa era trazida e jogada de longe, como para porcos.
Mas eis que um dia chega até àquele lugar escuro e feio, a notícia de que havia um homem que curava doentes e que estava para passar por aqueles caminhos.
Penso que a novidade deve ter causado um pequeno alvoroço. Deve ter causado algumas discussões, dúvidas, indignações, naquele lugar. Questionamentos.
Mas também veio provocar e acender esperanças. Acordar velhos sonhos.
Pela primeira vez a amargura, a dor e a solidão devem ter cedido lugar à possibilidade de um futuro melhor, e dentre tantos que ali estavam, alguns acreditaram. Alguns lembraram de suas casas, suas famílias, seus amigos... E alguns poucos tiveram a ousadia de ter uma atitude em busca desta libertação, e sairam para fora, subindo pelas veredas do caminho por onde sabiam que aquele homem iria passar.
Eu imagino aqueles farrapos de gente, sujos e fétidos, enrolados em trapos, camuflados entre a vegetação à beira do caminho, porque estavam num local onde não tinham o direito de estar. Quantas vezes não devem ter tido vontade de desistir? De voltar pro vale, enquanto aguardavam?
Quem sabe quantas vezes não passou pela cabeça deles que aquilo era loucura, que um homem não poderia ter capacidade de curar outro homem?
Quantas vezes uma vozinha dentro de si não disse: Tu não mereces. Tu não presta. Tu és um perdedor. Tua família já te esqueceu. Teu emprego tem alguém no teu lugar.Tá perdendo teu tempo, volta pro vale. Olha, o tal homem tá atrasado, ele não vai passar. Ele não vem. Ele não existe. Tua doença não tem cura... Não perca teu tempo.
Mas eis que derrepente o homem estava vindo. Pois Ele sempre vem em cada vida.
Eu tento imaginá-lo, subindo pelo caminho, cabelos ao vento, cajado na mão...
Vendo pela ótica dos doentes, eu só consigo pensar que Ele era maravilhoso, apesar de que é fato ser magro e queimado de andar no sol. Assim mesmo, era como a luz que vem chegando na aurora da manhã. Depois de uma longa e escura noite.
Eu penso que o instante que levou até Ele chegar perto, parece não ter tido fim.
E quando ele estava a uma distância capaz de ser ouvido, chamaram por ele:“Senhor, se queres, purifica-nos.”
Ele, ouvindo ser chamado, aproxima-se e os toca, dizendo: “Quero. Sê limpo. Vão e apresentem-se ao sacerdote da cidade” (Mt. 8:3)
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Houve um tempo, em que me vi, assim, num vale que me separava das coisas que eram caras pra mim. Na escuridão das noites, que eram negras, os escorpiões da angústia e da tristeza desciam das reentrâncias da dureza das rochas, e havia um choro dentro de mim, que era seco de lágrimas, e vazio de tudo.
Invisíveis sacerdotes nos mandam para buracos assim. É a lepra da indiferença dentro da própria casa, da desvalorização do ser humano. É o mal do desemprego, é a falta de oportunidade, a solidão. É teu corpo que não agrada, a cara que não ajuda, é o sei lá o quê...
Tu te vê fora dos acontecimentos, das rodinhas de amigos. Tu nunca pode rachar a despesa. Teu calçado não tem a marca adequada. Tua roupa é desajeitada. É o vício difícil de largar. É aquele relacionamento que não acrescenta nada, que muitas vezes nos diminui ainda mais. Teu chefe nunca te vê na hora de atribuir uma promoção. Aqueles que mais amamos pisam em nós.
E tu tenta sair do buraco, mas o vale é grande, e tu não tem para onde ou para quem voltar.
Quanto vale, um vale? E para sair dele, quanto? Será que tu não vale mais que o vale?
A lepra da solidão está destruindo tua carne? Teu casamento? Teu filho chega cada vez mais tarde e conversa contigo cada vez menos? Ou é teu chefe que cada dia parece mais descontente? O dinheiro acabou? Os amigos se foram? Tu fica sempre pelos cantos? Ficas esperando as sobras? A tua opinião nunca interessa? O espelho está sempre te mostrando um ser esquisito e triste? É o stresse? A dor-de-cabeça? Tua família não te entende? É o caos?
Teu domingo tem ficado sem sentido? A cerveja está cada vez mais parceira? Tua opção sexual tens que esconder do sacerdote da cidade? Qual é a tua dor?
Não interessa qual o nome que tem a tua lepra. Não importa qual seja. Eu estou chegando no teu vale para te dizer que tem um homem que cura, liberta, salva e ainda te dá a vida eterna.
Mas vida, não esta coisa medíocre que tu tens levado. Porque Ele é a Vida.
Saia para fora da tua escuridão. Não precisa temer, basta QUERER. Aqueles leprosos quiseram ser curados. Quem quer, precisa caminhar para fora, sair para a luz. Ter uma atitude.
Saibas que aquele homem continua a passar. Se O chamares, Ele vai te tocar e vai te limpar da tua dor, e, mais ainda, vai te dar autoridade para chegar até o sacerdote e dizer: “Estou aqui: Sã(o) e salvo(a). Quero minha vida de volta”.
Porque tudo que Ele toca, ele limpa, Ele cura, Ele restaura. E te dá força para assumir sua vida, porque Nele podemos TODAS as coisas.
Jesus Cristo está passando pelo teu caminho. Ele quer te tocar. Não deixe Ele passar sem que te toque, porque àquele que Ele toca, o sacerdote nunca mais poderá mandar pro vale. Pelo contrário, fugirá de ti, porque tu estarás revestido do poder de Deus.
Vem pra luz. Abra teus olhos. Acorda. Comece a ler a Bíblia, a conhecer o propósito que Deus tem pra ti. Comece a se interessar em alimentar teu espírito, ao invés de olhar só para teu corpo. A conhecer, a saber quem foi e quem tem sido Jesus Cristo. Ele te ama.
Jesus Cristo te ama. Mas não com este amorzinho que a gente conhece aí pelo mundo, que são eternos, mas não duram um ano. Que são sinceros, mas quando você precisa, olha pro lado e não vê ninguém. Que você é a última(o) da fila, só quando sobra tempo. O amor de Cristo é sério. Já existia antes mesmo de você nascer. Ele já sofreu muito por ti. Deu a cara pra bater, por ti. Por ti Ele foi cuspido, esbofetiado, escarnecido, pregado, riram dele, debocharam dele...Ele ficou seis horas pendurado na cruz esperando por ti, e mais todos os anos que você já viveu. Só porque Ele gostou de ti, e entendeu que tu valia a pena a espera e a dor. Ele não te pede nada. Só que aceite este amor.
Acorda, meu irmão, minha irmã. Largue esta vidinha medíocre, de acumular derrotas, tristezas, misérias... de viver tentando se enganar que és feliz, que és alegre, que não tens falta de nada, e ao mesmo tempo ter este deserto dentro de ti. Quando aceitares este amor, que a gente não consegue entender, nem imaginar direito como seja, quando você sentir o abraço deste amor, porque este amor é real, é vivo, e entender que tu podes colocar tua vida nele, você nunca mais vai querer estar fora dele. Tu vais saber que não existe nada igual ao amor que Deus tem por ti. Tu vais começar a se perguntar: “Por que eu perdi tanto tempo?”
Vem pra Cristo, você também.
Suelisilvânia

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