segunda-feira, 19 de maio de 2008

Para Zaida

Cara Sra Zaida

Desculpe ter tomado a liberdade de te escrever, mas não pude esquecer nosso diálogo enquanto eras atendida no caixa do banco, esta manhã; a senhora dizia que nunca recebera uma carta de amor.
Eu fico pensando sobre quantas pessoas que levam toda uma vida sem nunca ter vivido a experiência de ter recebido uma demonstração de amor tão simples como esta.
Eu fico pensando sobre quantas demonstrações de amor que se perdem porque as deixamos para depois, porque não as consideramos prioridade, pois afinal, temos tantas coisas mais importantes para fazer...
Eu li outro dia que: ...”palavras de amor que não são ditas fazem muito mal”
Eu mesma não lembro de demonstrações de carinho da minha mãe, na infância. Vivi uma vidinha medíocre e terrível até aprender a entender e lidar com este fato tão comum, mas que detonou com a criança que eu era.
Pensando sobre estas coisas, senti de lhe escrever, e dizer que possivelmente muitas vezes as pessoas que te conhecem e te gostam pensaram na possibilidade de te escrever falando sobre seus sentimentos, mas por um motivo ou outro isto foi ficando de lado, porque temos medo de parecermos bestializados quando falamos de nossos sentimentos. Como se não fizesse parte do ser humano sentir amor pelas outras pessoas.
Não demonstrar sentimento não quer dizer não tê-los. Eu mesma levei mais de 40 anos para começar a demonstrar meus sentimentos. Eu tinha vergonha de gostar. Eu me achava inferior, sem capacidade de gostar. Mas gostava das pessoas, só não conseguia demonstrar. Chegou a um ponto que, de tanto não demonstrar, eu perdi a noção de como se dá isto dentro da gente. E a nascente dos meus sentimentos foi se atrofiando dentro de mim.
Fiquei tão parecida com a maioria das pessoas que me confundia com elas. Me coisifiquei. Fiquei estranha até pra mim.
Quando pensei que não havia cura para aquele vazio, aquele desasossego, aquela falta constante de não-sei-quê e de tudo ao mesmo tempo, então me disseram que havia alguém que gostava de mim do jeito que eu era, e que já gostava de mim há algum tempo, cerca de uns 2 mil anos. Fiquei tão feliz com as mudanças e curas que aquela novidade boa fizeram dentro de mim, que passei a demonstrar os sentimentos que começaram a brotar denovo, e com um vigor renovado.
Estou te escrevendo para dizer que a senhora é muito importante para Deus. Apesar de ninguém ter te enviado uma carta, Ele envio seu filho por amor a ti, e esta é a maior demonstração de amor que se tem notícia, em todo o tempo e lugar.
Ele nos amou primeiro.
E eu fico pensando sobre quantas pessoas que a gente ama muito, e mesmo assim, elas nada sentem por nós, passamos despercebidos pela vida delas. Não fazemos diferença. Nem falta.
Mas Deus nos amou antes de sermos alguma coisa, sem termos feito nada para merecer...
...”Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”João 3:16

Com carinho,
Sueli Silvânia

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